O Banco Master, que negocia sua venda para o Banco Regional de Brasília (BRB), tem como representante jurídico o escritório Barci de Moraes, onde trabalham Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e seus filhos. Segundo O Globo, Viviane atua em poucas ações, cujos detalhes não foram divulgados. O escritório tem 30 processos no STF.
O Master possui R$ 8,7 bilhões em precatórios, títulos frequentemente discutidos no Supremo, e uma ação contra a União sobre a CSLL, sob relatoria de Gilmar Mendes. Além disso, o banco patrocinou o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, com a presença de Moraes, Gilmar e Dias Toffoli, que ficaram hospedados em hotel de luxo. O Globo afirma que Moraes não esclareceu se teve despesas pagas pelo banco.
O ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, integrou o conselho estratégico do Master em 2023, recebendo mais de R$ 100 mil mensais. Outro consultor do banco é Guido Mantega, que teria levado o dono do Master para uma reunião com Lula no Planalto.
A compra do Master pelo BRB foi aprovada pelo conselho de administração e está avaliada em R$ 2 bilhões. A operação envolve a aquisição de 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais.
A revista Crusoé já havia destacado a influência de ministros do STF e seus familiares no meio jurídico. Em 2023, o STF permitiu que juízes julgassem casos de clientes de escritórios de cônjuges ou parentes. Isso beneficiou grupos como Petrópolis, que contratou advogadas ligadas a Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
A ex-ministra Eliana Calmon criticou a proximidade entre o Judiciário e os escritórios de advocacia das esposas dos ministros, apontando um “acasalamento perfeito” entre poder político e econômico.