Integrantes do Palácio do Planalto e lideranças do PT apostam que a pressão do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre o presidente do PSD, Gilberto Kassab, deve surtir efeito em relação ao projeto da anistia. A informação é do Metrópoles.
Como a coluna noticiou mais cedo, Moraes, que é relator do inquérito do golpe no STF, mandou uma investigação contra Kassab por corrupção passiva, caixa 2 e lavagem de dinheiro voltar da primeira instância para o Supremo.
A decisão foi tomada por Moraes no último dia 19 de março e tem por base a recente mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a prerrogativa de foro, ou seja, sobre o foro privilegiado.
O despacho foi visto, nos bastidores do Congresso e do STF, como uma forma de Moraes pressionar Kassab e o partido comandado por ele a não apoiarem anistia, conforme lideranças do PSD têm sinalizado.
Para fontes do Planalto ouvidas pela coluna, Kassab “tem experiência o suficiente” na política para “não querer comprar briga” com o STF, especialmente com Moraes, com quem o cacique tem desavenças há anos.
Para auxiliares do presidente Lula, Kassab também tem consciência que um eventual apoio explícitio e formal dele em prol do projeto da anistia pode dividir internamente o partido, que tem três ministérios no governo.
Lideranças do PSD, por sua vez, afirmam que Kassab nunca prometeu a Jair Bolsonaro (PL) apoiar a anistia e que teria sinalizado apenas que os parlamentares da sigla serão liberados para votarem como quiserem.
Mais legendas devem “pular fora”
Na avaliação de integrantes do Planalto e de lideranças do PT, outras legendas do chamado Centrão também não devem se engajar no projeto da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.
O argumento é de que muitos deputados dessas legendas possuem pendências no STF e, por isso, não vão querer comprar uma briga com ministros da Corte por conta da anistia.
À frente da articulação, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalvante (RJ), promete apresentar o requerimento de urgência para tramitação do projeto da anistia na reunião de líderes da Casa prevista para quinta-feira (3/4).
O objetivo do deputado bolsonarista é apresentar o pedido de urgência com assinaturas de nove partidos. Na lista, estão, além do PL, União Brasil, PP, Republicanos, Novo, Podemos e PSDB.
Como noticiou a coluna, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), prometeu a Sóstenes realizar uma reunião na terça-feira (1º/4) com partidos que apoiam a urgência do proejto da anistia.